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O PENSAMENTO 50


Como pensar melhor?

O pensamento faz parte da nossa essência, pois dá um significado e sentido para as nossas vivências.

É um elemento objetivo, sob o ponto de vista bioquímico, uma sinapse, que é a região localizada entre os neurônios, onde age os neurotransmissores, ou seja, permite a comunicação neural.

Então, você pode ter memórias das mais simples e cotidianas, positivas ou negativas, assim como traumáticas que estabelecem um significado.

“Mamãe não costuma me beijar e hoje ela me beijou e disse que me ama.”

Essa é uma memória positiva que traz um significado marcante.

“Papai me deu uma surra de cinto e eu gritei muito.”

Essa é uma memória negativa que também possui um significado marcante.

“Não consigo esquecer o acidente que tive.”

Essa é uma memória traumática que traz pensamentos perturbadores.

As memórias que mais lembramos são as mais recentes e intensas, no entanto, temos uma propensão pelas lembranças negativas e traumáticas.

“Por quê?”

Pela incapacidade de nos recuperarmos de algo que vivenciamos e que podem causar pesadelos ou reações exageradas a estímulos, até mesmo nos adoecer.

“Só de lembrar o quanto ele me fez sofrer, eu fico com dor de cabeça.”

Para extinguirmos esse tipo de memória, é preciso um esforço, pois demanda a coordenação de duas partes do cérebro: a amígdala e o córtex pré-frontal.

“Ihhh…começou a escrever difícil.”

À plasticidade neural ou neuroplasticidade é uma habilidade que o sistema nervoso tem de reorganizar os neurônios e os seus circuitos, no intuito de formar novos neurônios.

“Assim eu vou parar de ler esse texto!”

Ei…, não me deixe!

Falaremos da essência da ciência psicológica e não do estudo do cérebro, mas esse início fará sentido.

Continue lendo!

Pierre Janet, Psiquiatra, Psicólogo e Neurologista Francês, disse que é um exagero vincular a psicologia ao estudo do cérebro.

Ele disse também que, o que chamamos de pensamento, os fenômenos psicológicos, não são a função de nenhum órgão em particular.

Mas é um processo conjunto, onde o indivíduo é tomado por esse fenômeno, pois a Psicologia é a ciência do homem por inteiro e não a ciência do cérebro.

Por essa razão, a questão filosófica ligada ao problema “cérebro-pensamento” deve dar importância ao homem ter conseguido exteriorizar seus processos cerebrais a partir do que ele fala e pensa.

Você fala o que pensa?

E quando fala, pensa no que disse?

Traduzir os processos do inconsciente é uma forma para cuidarmos dos pensamentos, das dores e do que essas lembranças fazem conosco.

Perguntaram para Isaac Newton, matemático, físico e astrônomo, como ele tinha encontrado o que ele procurava. Ele respondeu: “pensando sempre nisso.”

E por que hoje pensamos e lemos menos?

A falta de tempo e o uso do tempo livre para navegar na internet, mexer nos aplicativos e redes sociais podem explicar.

O estímulo do pensamento é o diálogo, a leitura, o debate, as reflexões…, mas o excesso do tempo em telas, desde a infância até a vida adulta, muda esse comportamento.

“Você leu o texto?”

“Ainda não! Mas vou ler.”

A prática cada vez mais comum de apenas “passar os olhos” nos textos, livros, revistas…, dilapida nossa capacidade de entender argumentos mais complexos.

Talvez por isso, o início desse texto tenha sido mais difícil de compreender. Assim como, fazer uma análise crítica do que lemos e até mesmo criar empatia por pontos de vista diferentes.

“Não gostei do que ele escreveu no texto, portanto não leio mais nada desse autor.”

Jung redigiu: “Quando pensamos, fazêmo-lo com o fim de julgar ou chegar a uma conclusão; quando sentimos, é para atribuir um valor pessoal a qualquer coisa que fazemos.”

E muitas vezes, o sentimento se impõe ao pensamento, ou seja, a emoção fala primeiro e nos desconecta do que é possível compreender com aquele momento.

“Não existe diálogo, apenas competimos para saber quem tem a razão.”

Esse texto não defende uma linha científica e nenhuma abordagem psicológica. Ele deseja, apenas, estimular seus pensamentos.

Pois a linguagem humana traz significado e entendimento de si, afinal pensar é viver no sentido.

E esse sentido não é uma explicação da relação entre…, mas da relação com…, ou seja, ela escapa a qualquer redução que tente inseri-la numa configuração científica.

Logo, explicar as funções intelectuais e seus efeitos pela estrutura e configuração do cérebro é uma relação entre a ciência e o pensamento.

“Não quero saber o que a amígdala e o córtex pré-frontal fazem. Eu quero eliminar minha dor!”

É preciso reconhecer que essa relação com…se expressa no ambiente cultural humano como um efeito histórico e não apenas como um registro científico.

Se você viveu num ambiente em que o álcool, as drogas, a falta de diálogo predominava, será que seu comportamento pode ter sido influenciado por isso?

Sob essa ótica, o pensamento não é mais uma função puramente cerebral, mas um efeito social relativo ao tipo de convívio no qual ele intervém.

Você conhece a história do menino de 7 anos que fugiu da escravidão e foi criado por lobos?

Em 1953, seu pai o vendeu como escravo para um pastor. Logo após a morte deste, a criança com 7 anos fugiu para uma serra, na Espanha, repleta de animais selvagens.

Ele bebia leite de cabra, comia raízes e passava a maior parte do tempo com lobos. Ficou conhecido como o menino lobo.

Com o passar do tempo, Ele perdeu completamente os hábitos humanos e sua comunicação passou a ser somente uivos e latidos.

Foram 11 anos na floresta, até que em 1965, o encontraram e levaram-no contra sua vontade para a sociedade, amarrado e amordaçado. Ele só sabia uivar, sem parar.

Teve dificuldade de se readaptar à vida entre humanos e numa entrevista em 2018, disse que estava decepcionado com a natureza humana e desejava voltar para a floresta.

Hoje, aos 76 anos, ele vive recluso, com ajuda financeira de uma família holandesa.

Por que será que o menino preferiu pensar como lobo?

Os nossos pensamentos influenciam diretamente nossas ações todos os dias. Por isso, é importante cultivarmos reflexões que possam acrescentar na nossa vida.

É a partir das reflexões que tomamos decisões de modo consciente a fim de lidar com nossas experiências.

Compreende?

Ah! Esse é o meu artigo número 50, razão pela qual dei o título de “O Pensamento 50”.


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