E SE...



Se eu não tivesse nascido, se eu não tivesse brincado demais, se eu tivesse feito aquela escolha...Essa ideia do “se” em relação a uma análise própria, serve para quê?

Nosso narcisismo, que é o amor por si próprio ou pela própria imagem, muitas vezes pressupõe um: por que sobre mim aconteceu isso?

Esse “mim” é tão central que você crê que se algo deu errado contigo é em razão de um azar extremo.

Será que o mundo gira em torno de você?

Mas, se um minuto antes você parou na calçada e uma barra de ferro caiu na sua frente, quem te salvou?

Logo, parece existir um azar e um benefício manifesto, quando as coisas ocorrem a seu favor ou ao contrário.

Por exemplo, se um ônibus bate e você perdeu a viagem, falecendo os 44 ocupantes daquele transporte, muitos vão dizer que foi Deus. Então as outras pessoas foram condenadas?

Já observou como somos centralizadores de explicações para o que acontece conosco, mas não consideramos o que ocorre com os outros?

A verdade é que todos nós somos sobreviventes. Sobrevivemos às escolhas erradas, acidentes de trânsito, pessoais e outros.

Qual é o destino da vida? É algo muito difícil de responder, sem que as necessidades básicas estejam satisfeitas, como: fisiológicas, segurança, social, autoestima e autorrealização.

Você já ouviu falar na pirâmide de Maslow?

Essa teoria traz como princípio que a motivação de uma pessoa está necessariamente ligada às necessidades básicas humanas.

Já imaginou pensar em algo sentindo fome ou durante uma guerra? Quantas pessoas não passam por isso hoje?

Essas necessidades ocupam todo o nosso ser, até saná-las. Resolvidas essas demandas, passamos a pensar nas demais questões da existência.

Agora, na hipótese de você ganhar a vida na roça, será que você teria tempo para pensar sobre esse “se” dentro de si?

Esse tipo de pergunta faz a gente imaginar que a vida é feita para os fortes. E estes são aqueles que não se rendem a qualquer tipo de indagação como: “E se não chover?”

O pensamento não nasce da falta de compromisso, mas da capacidade de pensarmos estruturas a partir da realização de nossas necessidades básicas.

Ou seja, não espere que as coisas "caiam do céu". Sem se mover você não terá êxito! Logo, é necessário um plano de ação tendo como base à satisfação das necessidades primárias.

Somos muito criativos para inventar falsas justificativas de vida. A continuidade de uma vida sufocada pelo “se” só pode ser prolongada por nós mesmos.

Portanto, dar a vida a ideia de missão traz a conotação de buscar um sentido próprio. E este, às vezes, é religioso ou político, como no caso do "se".

"Se eu tivesse rezado teria passado no vestibular." "Se eu tivesse feito outra escolha profissional, estaria ganhando mais."

A consciência dos episódios é a forma mais apropriada para examinar nossas ações. Quer ver um exemplo?

Se eu sou acometido por uma depressão, eu posso ter milhões de reais na conta, ter inúmeras tarefas para fazer, que ela ainda me afeta.

Diante disso, ao passar o dia trabalhando, não vou curar minha depressão. Então, observamos que a depressão não decorre da falta do que fazer e nem da quantidade de dinheiro.

Ela acomete empresários que trabalham 60 horas por semana, ricos e pobres atarefados.

Para você realizar algo sobre si, é necessário ficar ausente do “se”, e focar em como fazer ou refazer.

Mas, e se...? Não mire o “se”, mas em si!

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