RELIGIÃO, ESPIRITUALIDADE E SAÚDE

Atualizado: 9 de mai.



A quem você recorre quando passa por uma dificuldade que parece intransponível? Você crê na ciência, na religião ou na espiritualidade? É possível uma conexão entre elas?

Você sabe dizer o que é Perspectiva Salvífica? É uma expressão que se refere ao salvamento de alguém.

A expressão faz referência aquela pessoa que vai salvar uma situação, a comunidade, uma nação, um planeta, ou aguarda que alguém a salve.

Para essa perspectiva salvífica, existe também um sinônimo, chamada perspectiva messiânica.

Esta, no hebraico, significa Messias, aquele que vem, liberta, elimina aquilo que é prejudicial a você numa situação.

Por isso, uma perspectiva salvífica é aquela que aguarda a chegada de um Salvador. E existem pessoas que se colocam nessa perspectiva, de serem messiânicas.

Isso vale sob a ótica da ciência, das religiões, política, nos negócios e até na família. Você conhece alguém que age assim?

A relação entre espiritualidade, religião e saúde são temas presentes no meio acadêmico.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a saúde traz a noção do bem-estar físico, mental, espiritual e social.

Já para a espiritualidade cristã, por exemplo, uma vida plena é obra do dom libertador e salvífico de Jesus.

Numa religião, há um conjunto de regras que possui origem num contexto sociocultural.

Observamos que diante da incapacidade de curar uma doença por meio do tratamento médico tradicional, muitos recorrem ao tratamento psicoemocional do paciente.

Pensamentos positivos, paz, esperança e fé são agentes colaboradores para o tratamento médico.

“Tenha fé em Deus, tudo vai dar certo.” “Acredite, isso vai passar!”

Você conhece alguém que já saiu de uma condição de saúde gravíssima, de forma inexplicável pela ciência?

É possível integrar a religiosidade e/ou espiritualidade na saúde, para aquele paciente que tem fé?

As crenças espirituais e religiosas podem oferecer conforto, logo não são uma fonte de estresse para um cristão.

Numa doença que não existe cura, quem pode auxiliar uma pessoa religiosa? A crença se torna mais forte, diante de circunstâncias críticas de saúde.

Aspectos relacionados à religiosidade e à espiritualidade devem ser tratados como ações “salvadoras”, ou são cuidados que possibilitam aos profissionais da saúde, utilizar como parte do tratamento, sem perder a ética e seu profissionalismo?

Quando alguém possui ideação suicida, muitos profissionais da saúde recorrem à religiosidade do paciente como forma de ajustar a conduta dele, para que não faça mal a si mesmo.

Neste cenário, o papel desempenhado por este profissional, está relacionado com a falta de ética ou com um acolhimento para salvar a vida de alguém? E neste caso, o profissional é um salvador?

A associação entre espiritualidade e saúde é histórica, pois ambas possuem em comum a questão do cuidado humano.

O problema está quando alguns profissionais de saúde confundem as situações, recorrendo a um papel messiânico, ou seja, se apresentando como alguém “iluminado” pela graça divina para tratar das enfermidades alheias.

“Você já pensou em seguir essa religião?” “Esse é o caminho da sua cura.”

O desafio do profissional da saúde é equilibrar às técnicas que aprendeu com o estudo da sua profissão e as práticas religiosas ou espirituais do paciente.

Segundo Koenig (2012) pesquisas afirmam que a religião é um fator psicológico e social poderoso e que influencia a saúde das pessoas.

A psicologia da religião, por exemplo, busca estudar o comportamento humano e sua relação com as crenças, valores, motivações, a vida espiritual, etc.

Sob a perspectiva da Psicologia Junguiana, inúmeras neuroses estão ligadas ao fato de as necessidades religiosas da alma não serem levadas a sério pela psicologia.

Resumindo, o importante é não misturar a crença do paciente com a do profissional. A espiritualidade ou religiosidade que pode fazer a diferença é a do paciente.

Portanto, apesar do contraste entre a religiosidade, espiritualidade e a ciência da saúde, equilibrar esses pilares é a melhor opção.

Ou seja, reconhecer aspectos técnicos da doença, traçando um plano prático para lidar com ela e combinar esse esforço com as crenças religiosas e/ou espirituais do paciente.

O que não é ético, é trabalhar essas questões sob o viés da perspectiva salvífica da religiosidade ou espiritualidade do profissional da saúde.

É preciso ter consciência da visão integral entre o corpo, mente e espírito do paciente. Isso pode ajudar ele!

Deste modo, esses são alguns dos desafios que alguns profissionais de saúde e também políticos, gestores e familiares precisam desenvolver, em vez de escolher o papel de salvador.

Dentro do contexto da saúde, o importante é que o paciente encontre sentido de viver, não menosprezando a necessidade intrínseca do ser humano em buscar religiosidade, espiritualidade em meio à condição humana de enfermidade.

Não se coloque na perspectiva de um salvador, pois o ser humano é um ser holístico que requer um olhar integral como pessoa.

Quando um profissional age com uma perspectiva messiânica, o que está por detrás desse papel? Qual responsabilidade ele assume?

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